favoritos de abril e maio
Dois meses de favoritos com podcasts, cinema, teatro, stand-up, concertos, séries, entrevistas, comida, beleza, tecnologia e produtos para casa. Ufa! 😪
Folheio a agenda e estas semanas parecem-me simultaneamente mais longas e mais curtas do que me lembro. Decido que a forma certa de voltar é fingir que não fui embora. Voltar como se nada fosse, qual relação tóxica em que alguém dá ghosting e depois volta como se sempre tivesse ali estado. Ok, se calhar voltar logo a dizer que sou a parte tóxica desta relação não é um bom regresso. Comecemos de novo. Continuo a folhear a agenda, a distinguir as cores dos marcadores que assinalam tudo o que foi acontecendo em dois meses.
O azul predomina. Assinala as reuniões, as tarefas diárias para cumprir, o evento em Lisboa, os dias das 9h às 18h, mais umas reuniões. Também há algum rosa, claro. Visitas a casas, saídas com amigos, cinema, espetáculos, um campeonato para celebrar. Até o amarelo vai surgindo com uns treinos, umas caminhadas e até um check-up. Lembra-me de que preciso de marcar outros.
Não há cores para assinalar os dias passados com a Lady, as horas gastas no Idealista, as maratonas de The Rookie para ajudar a libertar a mente, o tempo passado a estudar orçamentos pessoais, os dias passados sem tentar escrever uma única frase. É no meio deste esquema de cores que aponto, a roxo, a data de publicação destes favoritos, destas coisas aleatórias que fui guardando nestes dois meses. À medida que as junto percebo que sim, desta vez tenho uma lista mesmo muito aleatória. Sei que vou demorar-me nestes parágrafos, mas em parte é porque tenho um novo favorito na vida: ver o céu ganhar tons laranja através da janela da sala. É possível que me perca a olhar lá para fora. Bem melhor perder-me em coisas bonitas do que em dias de cansaço.
A banda sonora destas semanas
Álbum THIS MUSIC MAY CONTAIN HOPE., da Raye
Começo pela música. Parece-me uma boa forma de começar, até para te dar também banda sonora para a leitura. O álbum da Raye chegou mesmo no final de março e atrevo-me a dizer, dois meses depois, que é album of the year material. Aquilo que mais me fascina em THIS MUSIC MAY CONTAIN HOPE. é que, no fundo, esta é uma história que a Raye decidiu contar-nos, com vários atos. E bem sabemos que adoro uma boa história.
Com faixas que andam entre o jazz, soul e r&b, este é um álbum que parece fazer a transição perfeita entre os dias cinzentos de inverno e os primeiros dias de sol da primavera. É um álbum ao qual tenho voltado constantemente, quase certa de que será um dos favoritos do ano também.
Os podcasts em destaque
Episódio Descansar dá muito trabalho!, no segmento de Intermédios do Somos Todos Malucos
Há uns tempos, o Raminhos lançou uma rubrica dentro do Somos Todos Malucos — todas as segundas grava um episódio curto, a que chama Intermédios, para falar de temas relacionados com saúde mental. Como são episódios de 15 ou 20 minutos, os Intermédios acabaram por entrar facilmente na minha rotina matinal de segunda-feira. Este foi um dos que mais me deixou a pensar, porque acertou em cheio naquilo que precisava de ouvir naquele dia.
FILTR’d Convo de Nena com David Fonseca
A FILTR decidiu trazer um conceito semelhante ao do Actors on actors, da Variety, para Portugal e tem permitido assistir a conversas interessantes entre músicos (e não só). Ainda não vi muitos, mas esta conversa entre a Nena e o David Fonseca foi tão natural e interessante que não podia deixar de a recomendar. Foi mesmo um espaço de partilha mútua, muito equilibrada.
Ao vivo
Filme-concerto Harry Potter e a Pedra Filosofal, no Super Bock Arena
Não estava nos meus planos, mas, quando surgiu a oportunidade de irmos ver o filme-concerto de Harry Potter e a Pedra Filosofal com bilhetes bastante abaixo do valor de venda, mudámos logo os planos para aquele domingo. Não há muito a dizer sobre o filme, não é? Harry Potter ficou órfão quando era bebé e, aos 11 anos, descobre que afinal é um feiticeiro e tem de ir para Hogwarts, uma espécie de colégio interno da feitiçaria. Obviamente é o preferido dos professores (menos de um, diz ele), só mete o nariz onde não é chamado e ainda tem tendências suicídas. É giro!
Para lá da história já conhecida, a experiência com a Orquestra das Beiras a tocar nos momentos instrumentais do filme foi muito bonita. Tivemos sorte com os lugares, que eram centrais, mesmo de frente para o palco e para o ecrã, mas, para um filme tão longo e que ainda teve intervalo, as cadeiras não são confortáveis. A certo ponto já só queria que acabasse para me poder levantar. Fora isso, gostei, foi uma forma diferente de ver o filme.
Peça Isto é um Hitler genuíno, no Teatro Carlos Alberto
A minha mãe vinha passar uns dias comigo em abril e eu comecei a procurar peças de teatro. Como ela nunca tinha ido ao teatro era algo que gostava de fazer com ela e andei a estudar a oferta portuense para aquelas datas. Encontrei esta peça, Isto é um Hitler genuíno, por acaso, em cena no Teatro Carlos Alberto, e a sinopse pareceu-me interessante.
O pai de Nicola e Phillip morre e, ao esvaziarem a casa, encontram um quadro assinado por A. Hitler. Nicola quer vendê-lo, Phillip quer guardá-lo e Judith, mulher de Phillip e judia, quer queimá-lo. Escrita por Marius Von Mayenburg, é uma peça com muito humor, mas também com uma questão latente: separamos mesmo a obra do artista? E quando o artista é Hitler? Gostei muito da peça e da sala, que não conhecia.
Espetáculo Verificando se você é humano, de Ricardo Araújo Pereira, no Super Bock Arena
Ricardo Araújo Pereira decide fazer stand up? Ora, muito bem, temos de ir ver, claro. Sendo muito honesta, não sabia bem o que esperar do espetáculo. O RAP tem graça, sim, mas não sabia o que esperar dele naquele registo e não acho que as rábulas de Gato Fedorento ou os programas que ele faz agora conseguissem dar uma ideia do que ia acontecer ali.
Gostei muito do texto, acho que é muito característico e próprio das inquietações do RAP, mas gostava de o ter visto num dos últimos espetáculos da tour e não num dos primeiros — o nervosismo notava-se muito e sentia-o pouco à-vontade, algo que certamente melhora à medida que ele for fazendo mais espetáculos.
Espetáculo Arraial, de Vítor Sá, no Teatro Sá da Bandeira
Da primeira vez que vi o Vítor Sá ao vivo achei que ele não ia ter grande futuro no stand up. Foram uns 15 minutos, a abrir para o Guilherme Fonseca no Hard Club, mas houve algo ali que não funcionou para mim. Podia ter sido também a última vez que o via ao vivo, mas, desde aí, felizmente, acabei por ir vendo o trabalho dele em vários contextos e fiquei curiosa porque me pareceu que havia uma evolução positiva.
Bem, aqui estou para engolir as palavras que disse sobre ele no Hard Club e para dizer que este foi um dos melhores espetáculos de stand up que vi nos últimos anos. Texto, performance, ritmo: o Vítor Sá chegou para mostrar que realmente o esforço dá resultado e que ele é, sim, um dos melhores do momento.
Espetáculo Em Sede Própria, de Joana Marques, no Super Bock Arena
Acho que acompanhámos, coletivamente, o julgamento Anjos vs. Joana Marques como se de um espetáculo se tratasse. Por isso mesmo, quando a Joana anunciou que ia torná-lo mesmo num espetáculo, era óbvio que tínhamos de ir ver. O fio condutor de Em Sede Própria é todo o processo, mas a Joana consegue que o texto funcione muito bem e que o espetáculo não se perca num roast aos Anjos. É um espetáculo com um bom ritmo, mesmo com outras intervenções e vídeos pelo meio, e que, embora temático, funciona muito bem.
Espetáculo Livros da Piça ao vivo, no Auditório Francisco de Assis
Não sou assuída a ouvir o Livros da Piça, mas ouço sempre que um episódio do podcast aborda livros que já li ou livros que sei que vão dar bons episódios de tão maus que são. Quando soube que vinham gravar um episódio ao Porto combinei com uma colega de trabalho e lá fomos até ao Auditório Francisco de Assis. Não querendo estragar a surpresa para o caso de o episódio ficar disponível entretanto, mas a escolha literária foi muito boa — para o gozo, claro —. Por estes livros vale sempre a pena ouvir.
Espetáculo Ponto de Fuga, de Martim Sousa Tavares, na Casa da Música
Vou já assumir que não tenho capacidade intelectual para colocar em palavras tudo o que me passou pela cabeça durante o espetáculo Ponto de Fuga, em que Martim Sousa Tavares fala sobre arte, beleza, família e outras história da vida, intercalado com momentos de música, tocada por ele, pelo João Barradas ou por ambos. Foi um espetáculo muito bonito, muito rico, com uma boa dose de emoção.
Honestamente, queria assistir novamente e gravar tudo para poder ouvir e tirar notas. Aliás, preciso de que o Martim publique o guião, para poder sublinhar cada palavra que mexeu comigo naquele espaço.
Concerto David Fonseca, na Praça Eixo Atlântico — Vila Nova de Gaia
O David Fonseca foi dar um concerto gratuito a Gaia e, obviamente, não dava para perder. Eu e a Andreia já tínhamos visto a tour atual no ano passado, mas um bom concerto vê-se várias vezes sem cansar e o David torna qualquer concerto num bom espetáculo, com muita interação e bons momentos para dançar. Em novembro contamos ir vê-lo ao Super Bock Arena, já com novo álbum.
Assistidos
Castle — série completa
Em dezembro decidi aventurar-me a ver de início Castle. Tinha visto vários episódios soltos, mas nunca seguidos, e apetecia-me ver algo diferente. Acabei a maratona no início de abril, irritada com o fim, mas contente com a maior parte da série protagonizada por Nathan Fillion. A minha questão é: como é que um escritor best seller tem tempo para escrever com tanto caso para resolver na Polícia de Nova Iorque? Queria.
The Drama
A premissa do filme é simples: dias antes de casarem, Emma e Charlie estão num jantar com amigos quando uma pergunta muda tudo: qual foi a pior coisa que fizeste? O trailer prometia um filme com algum humor negro e uma história um tanto surreal, tal como a A24 costuma fazer, e a promessa foi bem cumprida. É um filme engraçado, sim, mas com uma camada de crítica social muito interessante. Acho que não é um filme facilmente consensual, mas gostei muito.
The Rookie — temporadas 1 a 7
Embalada pela maratona de Castle continuei a explorar a carreira do Nathan Fillion e segui para The Rookie, numa maratona alucinada de sete temporadas em menos de dois meses. Honestamente, abril e maio foram meses em que precisei de encontrar algo que me ajudasse a relaxar e Rookie foi o meu escape, até porque eu gosto destas séries policiais. Neste momento estou à espera de que a 8.ª temporada seja disponibilizada em streaming, para depois poder acompanhar a série regularmente (já foi confirmada a 9.ª temporada).
Taylor Swift: The stories behind her biggest songs
A The New York Times Magazine escolheu os 30 melhores songwriters vivos dos Estados Unidos e, como seria de esperar, a Taylor foi uma das escolhidas. Graças a isso, deu uma entrevista de 30 minutos onde fala sobre várias das suas músicas (e tenho a certeza de que deixa easter eggs sobre a música da banda sonora do Toy Story e sobre o debut). Para fãs, é um bom e raro momento de conversa sobre as músicas de que tanto gostamos. Vale a pena.
The Devil Wears Prada 2
Perdi conta à quantidade de vezes que vi The Devil Wears Prada na adolescência, por isso fiquei particularmente entusiasmada quando o segundo filme ganhou finalmente data de estreia. Hei de escrever melhor sobre algumas coisas em que pensei com este filme, mas não podia deixar de o incluir aqui. É uma boa evolução da história inicial, adaptada à realidade atual, e gostei mesmo de poder voltar a ver estas personagens e de perceber o que lhes tinha acontecido nos últimos 20 anos.
Comida
Bifana no pão, do Conga
Tinha saudades de uma boa bifana no pão, admito, por isso aquele lanchinho de fim de tarde só podia ter uma paragem: o Conga. Ainda não conhecia o restaurante nem a bifana — uma das melhores do Porto, dizem —, por isso lá fomos provar a especialidade da casa. E, meus amigos!, que bifana! Pão fresco, carne super tenrinha e saborosa e um molho bem picante, com batatas fritas a acompanhar. Gostei muito, mas agora quero voltar para provar a francesinha, que já me foi recomendada pela Inn.
Croissant com chocolate, da Pastelaria Versailles, Lisboa
A meio de abril tive de ir a Lisboa em trabalho e, como fiquei dois dias, acabei por lanchar com alguns colegas num lugar onde não ia há anos: a mítica Pastelaria Versailles, na Avenida da República. Obviamente, tinha de comer o croissant com chocolate, que me surpreendeu por continuar tão saboroso como me lembrava. A ida a Lisboa desregulou ainda mais o meu mês de abril, mas pelo menos o croissant valeu a pena.
A francesinha tradicional, do Jardim Viriato
Em pré-espetáculo, fomos jantar ao Jardim Viriato, à beira do Hospital de Santo António. A escolha foi às cegas, motivada pelo desconto do The Fork, mas o menu não deixou dúvidas: fomos para a francesinha. O molho ficou um bocadinho aquém do esperado, não muito marcante, mas a sandes até era boa. Não foi uma escolha memorável, admito, mas o total da conta para 4 pessoas nem a 45€ chegou, o que, hoje em dia, é um feito.
A francesinha, do Ikea
Sempre que passava pelo restaurante do Ikea ficava intrigada com a francesinha, mas escolhia sempre as almôndegas. Só que, desta vez, em dia de compras para a casa nova, decidi arriscar. O ponto positivo é que a sandes é realmente boa. O ponto negativo é que o molho não compensa a sandes. Não valeu a pena arriscar.
Produtos de Beleza
Espuma Ondas Perfeitas, da Pantene
Ando a usá-la há meses, mas ainda não a tinha incluído por aqui. Há algum tempo decidi arriscar em alguns produtos da gama de cabelos ondulados e encaracolados da Pantene. O meu couro cabeludo não gostou do champô, mas tenho adorado o condicionador para caracóis e, acima de tudo, a espuma Ondas Perfeitas. Gosto mesmo de ver como o cabelo seca quando aplico a espuma, muito leve, brilhante e suave. Sei que a espuma queridinha de quem tem ondas e caracóis é da Garnier, mas, para já, não me vejo a abandonar esta.
Tecnologia
Monitor portátil Asus ZenScreen MB169CK
Poder trabalhar de onde quero é ótimo, mas sinto sempre falta do segundo ecrã. Tenho muitas tarefas em que o segundo ecrã me é muito útil e gosto mesmo muito do monitor que tenho no escritório de casa, o HP 524SH. O problema é que sempre que queria ir trabalhar fora de casa aqui no Porto ou que aproveitava para trabalhar de casa da minha mãe notava diferença na produtividade porque estava a trabalhar apenas com o computador portátil e há muitas coisas que faço mais rápido se tiver dois ecrãs. Por isso, em abril aproveitei que estive praticamente duas semanas em casa da minha mãe e comprei um monitor portátil.
Já tinha visto várias opções, mas não queria gastar tanto, por isso optei por este monitor simples, que liga ao computador por cabo USB-C ou HDMI. O ecrã é de 15,6 polegadas e pesa menos de 800 gramas. Pode ser usado na horizontal ou na vertical e, além do suporte, traz uma bolsa de transporte. Para quem não quer um monitor fixo ou para quem trabalha de vários locais, acho que é uma opção muito boa. Foi muito útil para os dias em que trabalhei em casa da minha mãe e já o usei aqui para trabalhar de um café enquanto esperava por uma consulta.
Produtos para casa
Pasta de limpeza, da The Pink Stuff
Mudei de casa em maio e, como é de esperar, houve muitas limpezas, algumas compras e muitos produtos adicionados a wishlists. Um dos produtos que tenho de vir recomendar é a pasta de limpeza viral da The Pink Stuff. Já vi mais algumas marcas lançarem pastas de limpeza do género, mas, para já, só usei esta e tenho de dizer que é realmente boa, sem ser preciso usar imenso produto. É uma pasta multiusos e, em muitos casos, há alternativas interessantes, mas tenho achado a pasta particularmente útil em certos tipos de limpeza — safou-me a limpeza das placas do exaustor e do forno, que estavam horríveis, e seria muito mais trabalhoso limpá-los com outro tipo de produto.
Gostas do meu trabalho? Paga-me um cappuccino: buymeacoffee.com/sofiacostalima
Até para a semana,








O álbum da Raye é um primor!
Fui passar um FDS ao Porto e jantei a bifana do Conga e ADOREI, é mesmo muito boa!