252. será sede de conhecimento ou síndrome de impostor disfarçado?
A lista (crescente) de livros técnicos, uma recomendação de podcast, um compra revolucionária e ainda um concerto.
Há umas semanas, entrei na Fnac com demasiado tempo para ocupar e, sem certezas em relação a ficção, dei por mim embrenhada na secção de livros técnicos. De vez em quando gosto de me perder a ver as novidades das áreas de marketing e comunicação e, por isso, lá fui eu, confiante de que era um dia de livros técnicos e não de histórias ficcionais.
Saí de lá com Outonecer, do Júlio Machado Vaz, Isto é Estratégia, do Seth Godin, e Storytelling, do Mark Edwards. Estava satisfeita com as minhas compras e passeei-as pelo centro comercial com aquela vaidade boa de quem comprou livros novos e quer mostrar a toda a gente. Estava tudo bem até que, enquanto esperava pelo jantar, comecei a questionar as minhas compras. Contrariamente ao que podia ser lógico, não as questionei por ter dezenas de livros por ler em casa — embora tenha mesmo dezenas de livros por ler em casa. Questionei-as, isso sim, no seu propósito. Outonecer tinha de vir comigo, não havia volta a dar depois de ter assistido à apresentação do livro, mas e os outros? Precisava mesmo de mais dois livros de marketing?
Será sede de conhecimento ou síndrome de impostor disfarçado?
Sempre tive curiosidade sobre muitos temas e, por isso, facilmente dava por mim a pesquisar e a passar horas a ler sobre aquilo que me interessava. A curiosidade aliada à crença de que tinha de estudar o máximo possível sobre algo para ser o melhor possível nessa área fizeram com que, ao longo do tempo, fosse juntando vários livros técnicos à minha biblioteca. Acredito mesmo que podemos sempre aprender mais sobre um tema, mesmo que sejamos praticamente especialistas nele, no entanto… sinto que preciso de aprender mais por sede de conhecimento ou por síndrome de impostor disfarçado?
No ano passado, quando comecei a trabalhar numa instituição ligada à saúde, andei quase obsessivamente a pesquisar livros sobre marketing em saúde e marketing social. Por um lado, queria descobrir os detalhes do marketing nestas áreas. Por outro lado, uma parte de mim não tinha a certeza de ser capaz, de ter conhecimentos suficientes. Quantos livros sobre o tema li? Zero. Não tinha tempo, queria primeiro compreender a minha realidade antes de me dedicar a estudar e eis que acabei por ir aprendendo a fazer e a ler artigos curtos que respondiam a perguntas específicas. Não é que não tivesse mais para aprender, mas acabei por navegar a situação mesmo sem recorrer à bibliografia extensa que recolhi. Não podia simplesmente ter visto quais as minhas necessidades de aprendizagem antes de assumir que eram… todas?
Muitas vezes junto estes livros técnicos à lista de livros para comprar porque acho que me faltam conhecimentos, que não sei o suficiente e que há sempre espaço para melhorar e aprender. Acho que esta característica tem o lado bom e o lado mau. No lado bom, acho que me dá a humildade de reconhecer quando preciso de aprender mais, de saber que o conhecimento não é estanque e que, por isso, deve ser renovado e relembrado. Nunca saberemos tudo sobre algo e a partilha de conhecimentos e de novos pontos de vista é importante para que pelo menos saibamos o máximo possível.
No entanto, no lado mau, acho que muitas vezes alimento um certo síndrome de impostor com esta atitude de que não sei o suficiente quando, no fundo, devia ter mais alguma confiança naquilo que já aprendi e não pensar que preciso de todos os livros que há sobre determinado tema só porque de certeza que não sei mesmo grande coisa sobre aquilo.
Tenho tentado ultrapassar isto e pensar que não sei tudo, claro, mas que também não tenho de saber tudo já e que posso ir aprendendo com calma. Mas também sei muita coisa e essas bases já me ajudam, não preciso de passar imediatamente de ter bases sobre um assunto para ser a maior especialista. Não disseram que é preciso passar 15 mil horas a fazer algo para ser um especialista? Temos tempos, vamos com calma, não é preciso comprar já todos estes livros que acho que me vão dar atalhos nestas 15 mil horas.
Honestamente, ainda bem que ainda tenho coisas para aprender e coisas para lembrar. É tão melhor quando sabemos que ainda temos recetividade para tentar aprender ou tentar acolher novas perspetivas sobre um tema. Por isso, acho que tenho mesmo de começar a perguntar-me, sempre que pego num livro técnico: É para ler já? E porquê? É sede de conhecimento ou síndrome de impostor?
A minha lista de livros técnicos por ler
Posto isto, partilho contigo os livros sobre marketing, comunicação e escrita que neste momento habitam a minha lista de livros por ler.
Sobre Marketing e Comunicação
This is Marketing, de Seth Godin
Marketing, Responsabilidade Social e Causas, de Henrique Ribeiro
Brand Sense, de Martin Lindstrom
All Marketers are Liars, de Seth Godin
Sobre escrita:
On Writers and Writing, de Margaret Atwood
Storyteller, de Dave Grohl
Escrevo Porque Gosto de Ganhar Dinheiro, de Isra Bravo
Storytelling - A Melhor História Ganha, de Mark Edwards
On Writing, de Stephen King
Conversas de Escritores, de José Rodrigues dos Santos
Os Escritores (Também) Têm Coisas a Dizer, de Carlos Vaz Marques
Still Writing, de Dani Shapiro
A Arte do Romance, de Milan Kundera
Esta semana no daylight
Tenho estado, lentamente, a atualizar algumas reviews mais longas no blog e, esta semana, publiquei sobre um dos livros que comprei da Feira do Livro do Porto e que li recentemente: Notas sobre o Luto, o pequeno livro que a Chimamanda Ngozi Adichie escreveu depois da morte do pai.
A viver nas páginas de…
Do Outro Lado, de Mafalda Santos
E eis que me resta apenas um livro da Mafalda Santos por ler. Acrescentámos a Mafalda tardiamente ao desafio de autores para 2025, e decidimos que em outubro seria o mês que leríamos o livro que a outra já tinha lido. É assim que chego a Do Outro Lado, o segundo livro da Mafalda, muito mais cedo do que se calhar chegaria se não fosse este desafio.
A sinopse do livro diz assim:
E se não existisse apenas uma realidade?
Uma história de amor, um vírus mortal, uma mentira avassaladora. Gabriel e Sara conheceram-se e imediatamente apaixonaram-se. Viveram uma semana de amor até que Sara desapareceu. E com ela a rua dela, o prédio onde vivia, tudo. Gabriel procura-a, desesperado.
Terá sido um sonho? Uma psicose? Estará louco? Todos lhe dizem que sim, mas a verdade é bem mais inacreditável: a realidade onde vive não é a única. Não há um Universo, há multiverso. No mesmo tempo, no mesmo mundo, mas noutra realidade bem mais doentia, está Sara, à espera de Gabriel, que desapareceu.
Recomendações aleatória da semana
Margarida Santos no Geração 90
A Margarida Santos é uma das pessoas que mais gosto de seguir nas redes sociais. O trabalho dela em literacia em saúde é um autêntico serviço público e, como acredito que a informação deve ser realmente clara e simplificada, gosto de ver como uma médica consegue comunicar tão facilmente com um público vasto.
Esta semana, a Margarida foi convidada do Geração 90, um podcast do Expresso, apresentado pela Júlia Palha, cujo objetivo é destacar personalidades de várias áreas pertencentes a uma determinada geração. A conversa, com perto de cinquenta minutos, foca o percurso da Margarida, mas também aborda a comunicação em saúde, a literacia, o uso das redes sociais para promover saúde e a ideia de que há receitas milagrosas para se ser saudável.
Loop Dream Earplugs
Não me considero uma pessoa com sono propriamente leve, mas houve algo que começou a fazer muita diferença de há uns meses para cá: divido casa com alguém que se levanta muito antes de mim e eu estava a acordar à mesma hora que ela porque ouvia todos os barulhos que ela fazia àquela hora da manhã. Ora, isto implicava eu estar a acordar mais de uma hora antes, o que honestamente me estava a afetar muito a energia e a disposição matinal.
Como ia ouvindo falar dos Loop tinha algumas opiniões positivas sobre outros modelos e, depois de alguma pesquisa, acabei por escolher mesmo os Loop Dream, pensados mesmo para dormir. Escolhi o modelo em lilás e, como trazem as espumas das pontas em vários tamanhos, facilmente encontrei o tamanho ideal. Os tampões são fáceis de aplicar e dorme-se confortavelmente com eles — e eu durmo de lado.
O preço pode não ser o mais convidativo (usa o código de desconto inicial!), mas só tenho a dizer que poder dormir até à hora a que é suposto sem ser acordada com panelas, secadores ou outros barulhos de casa é absolutamente maravilhoso. É mesmo um descanso!
Coisas que iluminaram a semana
Operação Stop: 45 anos de GNR no Coliseu do Porto
Os GNR, a banda da vida da minha mãe, assinalam 45 anos de carreira com um conjunto de concertos nos Coliseus do Porto e de Lisboa: a Operação Stop. Comprei bilhetes para a primeira noite no Porto e levei a minha mãe a celebrar este aniversário tão especial com um público diferente daqueles que ela já viu.
Ainda vou sentar-me a escrever sobre o concerto, para o blog, mas tenho de destacar desta noite três momentos: o início, em que os filhos do Rui Reininho, do Toli César Machado e do Jorge Romão ocuparam os lugares dos pais para tocar Espelho Meu; o público, sempre tão caloroso e festivo no norte — só no Porto se é assim; e o fim, quando o Pedro Ribeiro subiu ao palco para apresentar em primeira mão o vídeo-surpresa preparado pela Rádio Comercial, com 29 artistas portugueses a cantar Pronúncia do Norte. Foi uma noite muito bonita. Mas falamos em breve sobre isso.
Gostas do meu trabalho? Paga-me um cappuccino: buymeacoffee.com/sofiacostalima
Até para a semana,




Olá, o teu nome é Rafaela? És eu??? Eu a ler isto e a pensar na prateleira inteira da minha estante que só tem livros sobre escrita.
Olha, comprei esta semana também uns Loop, mas foram os Engage para eu me conseguir abstrair dos ruídos do escritório e conseguir-me concentrar xD Ainda não chegaram, vamos ver se não me dão dor de cabeça...
Identifiquei-me. Quando preciso de aprender sobre algo caio sempre na narrativa "preciso de comprar um livro" e depois acabo por nem o ler, porque, como disseste, a prática do dia-a-dia acaba por me ir esclarecendo. Gostei das perguntas que vais começar a colocar e vou adaptá-las para mim também.
Acho que é um misto de querer saber mais sobre o tema e depois acabas por sentir que precisas de saber tudo exaustivamente senão não és válida. Enfim, a praga do síndromo de impostor. Obrigada pela partilha. Fez-me ver coisas em mim que ainda não me tinha apercebido!