248. outono, tinha saudades
receber o outono, voltar a ler García Márquez e a carta que recebi esta semana.
Há dois anos escrevi aqui sobre a comercialização do outono. Continuo sem conclusões seguras e sustentadas sobre o tema, mas tenho de admitir que este ano me apetece mesmo entrar na onda da romantização do outono. Por culpa do calendário escolar, que sempre associou o início do ano (letivo) ao outono, e de o meu aniversário calhar nesta estação do ano, acho que o outono é um ótimo (re)começo, uma ótima altura para sentir que é o início de algo. Este ano volto a senti-lo com mais intensidade porque vou começar um novo trabalho e esta transição entre deixar um trabalho e começar outro está a deixar-me particularmente entusiasmada. Parece que faz mais sentido assim, o que se calhar — estranhamente — não faz qualquer sentido, mas entrei na onda e sinto-me ainda mais entusiasmada para receber esta estação do ano.
Receber o outono
Lá fora, aqui no Porto, a temperatura desta manhã já parece de outono. No TikTok tenho guardado constantemente novas ideias de outfits e deixo várias peças debaixo de olho. O burgundy parece estar em todo o lado e só torço para encontrar peças giras porque preciso de roupas de início de estação. O pumpkin spice latte ainda não deixou de ser iced, mas já penso na versão quente para acompanhar alguma sessão de escrita — ou de leitura. A Inn partilhou, no Substack dela, um concentrado de chai que entrou na minha lista de compras. Quase dou por mim a fazer uma TBR de outono, mas, por ter deixado tanto da TBR de verão por ler, decido ser comedida e reduzir a lista. A agenda já tem muitos planos, três concertos, uma peça de teatro, um espetáculo de stand up. Devia fazer um bingo? Outono, podes vir, estou ansiosa por te receber!
To Do List de outono
Tenho a sorte de viver na cidade mais bonita do mundo, que sabe perfeitamente como se iluminar no outono, por isso já ando a pensar nos passeios na companhia das árvores cheias de folhas douradas, claro, mas também em tantas outras atividades que me apetece romantizar por completo:
Passar o dia a ler debaixo de mantas enquanto chove lá fora;
Caminhar pelo parque da minha zona com um bom podcast e folhas douradas no chão;
Passar a manhã a escrever no Starbucks, com pumpkin spice latte e uma boa playlist outonal;
Descobrir se resisto à propaganda do TikTok de me fazer rever Gilmore Girls.
Mas claro que também tenho tarefas que preciso de cumprir e que me entusiasmam na mesma:
Comprar umas sapatilhas pretas (ando a dizer isto há uns dois anos…);
Preparar o escritório em casa;
Convencer a minha mãe a passar a semana dos nossos aniversários cá no Porto;
Closet clean up antes de comprar novas peças.
Mini-TBR de outono
Uma mini-lista de livros que planeio ler nestes meses, mas só mini, porque a lista de verão ficou por cumprir e agora pretendo ser mais humilde. Por isso, deixo quatro livros que sei que vou ler. Os outros deixaram que o estado de espírito oriente.
O Outono do Patriarca, de Gabriel García Márquez;
Do Outro Lado, de Mafalda Santos;
10 Minutos e 38 Segundos Neste Mundo Estranho, de Elif Shafak;
A Importância do Pequeno-almoço, de Francisca Camelo.
Outono, tinha saudades
O verão este ano foi muito verão. Desculpa-me se és pessoa de verão, mas este ano foi demasiado verão — e eu vivo no Porto, onde estamos habituados a nortadas e algum ar condicionado natural. Vagas de calor constantes, semanas sem um dia mais fresco, incêndios a destruir em minutos tudo o que outros passaram décadas a tratar. Não é que não goste do verão, mas este verão não foi bem verão, foi uma versão menos fixe de verão, em que estava à beira do colapso no trabalho, em que chorei baba e ranho (talvez literalmente) num dia de agosto por causa de incêndios, em que nem fui à praia, mas senti várias vezes a pele queimar debaixo do sol intenso e quente. Adorei dar uso a todos os outfits de verão, ter de comprar novas sandálias e passar semanas a fio sem calçar sapatos fechados, mas tinha saudades do outono. Outono também é recolher, voltar a nós e às rotinas saudáveis, o evermore a tocar mais e mais, e tinha saudades disso.
A viver nas páginas de…
O Amor Nos Tempos de Cólera, de Gabriel García Márquez
Parece que entrámos na era Esperávamos, desejávamos, conseguimos: vitória! das minhas leituras porque este também é um livro que comprei em 2020, confiante de que o ia devorar naquele ano, mas que acabei por deixar de lado. Neste caso, sei o motivo: sempre que mencionava o meu amor pela escrita do Gabo e dizia que Crónica de uma Morte Anunciada era o meu livro preferido, havia alguém que me dizia que O Amor nos Tempos de Cólera ia tornar-se o meu favorito de sempre, que era totalmente a minha cara e mais uma série de coisas que acabaram por atribuir uma carga ao livro que eu não queria ter quando o fosse ler.
Como a carga já aliviou tenho-me decidido a finalmente avançar e estou entusiasmada por voltar ao Gabo, neste que será o 12.º livro que leio dele. Podia já ter voltado com qualquer um dos seis ou sete livros dele que tenho cá por casa, mas estava mesmo à espera d’O Amor nos Tempos de Cólera. A sinopse, essa, é a sinopse mais sinopse que me lembro de encontrar sobre um livro. É que conta absolutamente nada:
Ao longo de quatrocentas páginas vertiginosas, compostas numa espécie de pauta estilística e musical, onde se fundem o fulgor imagístico, o difícil triunfo do amor, as aventuras e desventuras da própria felicidade humana, O Amor nos Tempos de Cólera é um romance que leva o leitor numa aventura encantatória, de uma escrita que não tem imitadores à altura.
Coisas que iluminaram a semana
Esta semana a caixa do correio tinha algo mais do que publicidade: a carta de confirmação de alteração de morada chegou e eu nunca fui tão feliz a ir completar burocracias na internet.
Também esta semana, de forma precoce, os meus colegas organizaram um lanche de despedida que incluiu um livro (Anna Karénina), uma tábua de queijos e enchidos espetacular e tiramisu. Sim, deixei a melhor parte para o fim. São pessoas destas que valem a pena.
Até para a semana,





Eu faço parte do grupo de pessoas que não resistiu e vai rever Gilmore Girls no inverno ahahaha eu ainda me lembro do plot, mas possa, está-me mesmo a apetecer aquele cozy que as Gilmore Girls trazem hehe
Espero que a transição para o novo trabalho te corra bem.